Um ano terminando, outro começando...


Sobre o ano que termina...
Eu quero mais é olhar pra frente. Não com a exigência de uma mudança radical que essa data incute na gente. Mas com a leveza de não me importar com o calendário e deixar tudo acontecer no tempo necessário que tem que ser pra mim. Sem a cobrança, mais de algumas pessoas, de que eu devo mudar isso ou aquilo na minha vida. Sem a expectativa, dessas mesmas pessoas, de que eu devo reconstruir a minha história, sem sequer saber que história foi construída até então. Sem a necessidade de agradar a gregos e troianos, porque determinada escolha não foi a mais acertada.

Chega né?! Ainda que eu tenha, em algum momento da minha jornada, dividido as minhas vivências e experiências, só quem tem o direito de determinar o rumo da minha vida sou eu. Só quem tem a capacidade de mensurar cada dor, cada alegria, cada perda, cada conquista, cada fase de uma história que deu certo em alguns momentos e, naturalmente como tantas outras, deu errado em outros, sou eu. E por isso eu me permito o tempo necessário para a minha cura, para a minha redescoberta por mim mesma, para o meu enfrentamento do meu eu, que vai muito além daquilo que qualquer pessoa conhece, já que eu mesma me desconheço por inteiro e é isso que estou buscando encontrar todos os dias, com a ajuda adequada. 

E eu quero olhar pra frente com a certeza de que, por mais que alguns momentos tenham sido confusos e difíceis, nunca, em nenhum deles eu perdi a capacidade e autonomia de pensar e raciocinar, e se não fiz as escolhas ou tomei as decisões mais corretas para os outros, sinto muito, mas fiz o que era mais justo pra mim e comigo mesma. Fui eu! Com todas as críticas de que eu me apego e me envolvo demais, mas com toda a segurança de que seguir meu coração ainda é o caminho que eu quero pra mim. Não sei ser diferente e já não me culpo por isso.

Quero sim olhar pra frente! E saber que ser intensa e ser transparente no meu modo de ser e de agir com as pessoas, ainda que transborde sentimento e falte razão, não é nenhum crime. Que estender a mão, que me colocar no lugar do outro, que ter afeto, que sempre ajudar de alguma forma, não é ser boba. Pois se não há reciprocidade, sério, isso fala mais dos outros do que de mim mesma.
E sobre o ano que termina, é isso que fica pra mim!
A certeza de que não deixei de ser eu mesma. Em reconstrução sim, mas também em evolução.

Aprendendo todos os dias que cada pessoa tem o seu tempo, tem sua história, tem suas crenças, tem suas lutas, tem seus caminhos. E que está tudo bem quando aquela amizade que você achava ser eterna não mais te procura, pois as pessoas seguem suas vidas e têm direito a isso; aquela paixão que te movia já não faz mais sentido, porque os objetivos de ambos passaram a ser outros e isso é normal; aquela pessoa que te prejudicou merece o seu perdão, porque sim, ela também pode estar tentando se reconstruir; aquele que diz ter alegria com sua presença é exatamente alguém que você menos espera, porque apesar de todo o atrito, reconhece a importância de ter você por perto! Aprendendo também, todos os dias, que são as pessoas que conhecem, verdadeiramente, boa parte da minha história, as que menos julgam, menos criticam, e que, incrivelmente, são as que mais expressam apoio e respeito incondicional apenas com suas presenças, em poucas palavras, com gestos e, às vezes, até mesmo através do silêncio, o que não quer dizer que concordam com tudo, mas que me conhecem o suficiente para compreender que nenhuma fase, por mais crítica que seja, tirou de mim o livre arbítrio de pensar com minha própria cabeça e agir com minha própria consciência.

Então, sobre o ano que termina, o que quero mesmo, de verdade, é olhar para frente e receber o ano que começa com o direito de seguir no tempo que me compete. De aprender, de errar, de acertar, de chorar, de rir, de lutar, de me arrepender, de cair, de levantar, de me curar daquilo que o meu eu necessita, quando e como ele necessitar. E também de me permitir viver o que me faz bem, o que me traz alegria, o que faz parte de uma história que é só minha, que foi construída e que se constrói e se reconstrói todo dia, e que nela cabem dores, acertos, enganos, conquistas, afetos, intensidade, cabe precisar do outro, e cabe também querer ficar sozinha em certos momentos.

Para o ano que começa, quero continuar olhando pra frente sem me perder de vista. Quero ouvir mais a minha voz, ou até mesmo o meu silêncio, sem me deixar confundir por discursos homéricos de quem tem a solução de todos os meus problemas sem nunca tê-los vivido; sem me iludir com mensagens carregadas de palavras bonitas, mas que no fundo só disfarçam um certo desmerecimento de tudo o que construí até aqui; sem me deixar levar pela mão por alguém que, mais cedo ou mais tarde, vai também encontrar outros caminhos... E está tudo bem! Porque também quero encontrar o meu caminho. No meu tempo. E com a certeza de que, se for necessário voltar por alguma estrada que já percorri, não tem nenhum problema. Pois a minha história é construída de passado sim, de vivências, de experiências, de escolhas erradas, de decisões certas, de amores inacabados, de paixões intensas, de pessoas incríveis e outras nem tanto, de amizades verdadeiras e outras mais rasas, de gente chata e egoísta, de verdades, de mentiras, de conhecimento, de aprendizado e de uma infinidade de coisas, situações, circunstâncias e sentimentos que são meus, mas cada um com sua importância na minha vida, na construção do meu eu, que se faz diariamente.

Por tudo isso, olhar em frente é uma meta para o ano que começa! Mas, mais do que olhar em frente, eu quero também olhar pra dentro de mim, porque é em mim que estão todas as respostas que necessito para minha cura, que está lá, profundamente num lugar que nem mesmo eu consegui alcançar, ainda. Olhar pra mim e me reencontrar, com todo o direito e todo o respeito que a minha história merece. E no tempo que Deus preparou pra mim e pra minha evolução. Sem culpa, sem medo, sem cobrança, sem pressa, sem julgamento, sem calendário. E sabendo que não é vergonha recomeçar, todos os dias, se necessário for. Mas aceitar que, absolutamente tudo, será no meu tempo e no tempo de Deus! Somente isso.

Para o ano que termina, gratidão, por toda a história que, orgulhosamente, EU construí até aqui. Para o ano que começa, gratidão antecipada, por todos os novos capítulos dessa MINHA história, escritos, exclusiva e abençoadamente, pela mão de Deus!
Texto: Léia Silva / Imagem: Arquivo pessoal

Nenhum comentário